Rukyman no Circuito da Boavista

  

O Grande Prémio da Boavista tem para os pilotos do Desafio Único o mesmo  significado que o Grande Prémio do Mónaco tem para os pilotos de Formula 1 ou as 500 milhas de Indianápolis para os Americanos.
Vencer Indianápolis é tão ou mais importante que ganhar o campeonato.
No fundo, tal como em todos os campeonatos, com maior ou menor importância, há provas que têm um carisma tremendo. Aqui no nosso cantinho à beira mar plantado, essa prova é a Boavista.
Temos o grandioso povo do norte que é sem dúvida alguma grande aficionado e enche por completo o circuito para ver todas as corridas do programa. Existe transmissão em directo em circuito fechado para que todos possam não só ver os carros passar, mas também os carros em toda a extensão do circuito. O paddock da Boavista é inigualável com todos os ingredientes que os outros têm, mas mais alguns e melhores!
Finalmente o circuito – tal como Monte Carlo, não perdoa o mínimo excesso. Não há lugar a segundo ensaio, ou seja, é como tem de ser, mas logo à primeira!

Por tudo isto, desilusão foi de facto o sentimento que vivi nos dias seguintes ao Grande Prémio Histórico da Boavista.
Por muito que tenha sido confortado por todos aqueles que de alguma forma acompanharam mais esta etapa da aventura Desafio Único 2009, por muito que reconheça a importância relativa que isto tem em relação a tudo o que rodeia de facto a minha vida… “é pá”, isto funciona como aqueles jogos de solteiros contra casados: É tudo muito giro antes de começar, mas depois ninguém gosta de perder nem a feijões!
Que não se conclua pelas minhas palavras que eu me convenci que depois de Portimão, de CERTEZA que ia ganhar na Boavista. Nada disso.
A tal paixão que já vos falei levou-me ao longo das semanas que antecederam a prova a idealizar cenários e desfechos possíveis. Desde ganhar (porque não?) até um eventual acidente, tudo me passou pela cabeça. Estudei exaustivamente os resultados anteriores e registei os números dos carros daqueles que me pareciam ser os meus principais adversários. E olhem que não me enganei.
É fácil falar à posteriori, mas garanto-vos que apostei no carro que veio a ganhar à geral!
Objectivamente queria e sabia que podia fazer boa figura até porque todos os meus familiares, amigos e patrocinadores sabiam da minha proeza algarvia e como ninguém a tinha visto ao vivo, eu queria mostrar-lhes que não tinha sido obra do acaso.
Os treinos livres serviram para aprender a pista, ver o que se podia fazer a fundo ou não e alinhavar os pontos de travagem.
Os treinos cronometrados deram-me duas certezas:
Ganhar seria muito complicado, pois o Luís Magalhães esmagou toda a concorrência. Mas daí até ao meu sexto tempo estava tudo em aberto. Meio segundo separou-me do segundo lugar da grelha numa pista que se faz em três minutos, ou seja… nada.
Estava com a minha confiança em alta, pois nunca tinha largado para uma corrida tão à frente e por isso não era descabido pensar mais uma vez no pódio.
Só houve um cenário que eu não imaginei: Que não me deixariam tomar o meu lugar na grelha de partida!

“Chegou atrasado” foi a justificação e por isso já não tive autorização para participar nela. Tive que sair das boxes e mais uma vez… só depois de todos terem partido. O meu desespero foi enorme, terminado também numa enorme frustração.
Claro que eu não cheguei atrasado e tudo se ficou a dever a uma descoordenação da equipa de comissários.
Depois de muitos dias a esfriar as ideias, tenho de concluir que de facto o grande culpado fui eu. A minha inexperiência em corridas fez-me actuar de forma descontraída nos vários imprevistos que me foram surgindo ao longo do caminho que tive de percorrer até chegar à saída das boxes. Em duas ocasiões, foram os próprios comissários que me atrasaram e eu não soube lidar da melhor maneira com a situação.
A minha inexperiência e ingenuidade foi tão evidente que no próprio momento em que um comissário me mandou desligar o motor, eu não percebi que a saída das boxes já estava fechada e que ia partir daquele sítio!
O resto não passa de contingências das corridas. Parti com a “faca nos dentes” como se costuma dizer e já depois de ter ultrapassado uma boa dezena de adversários, acabei por desistir com um apoio da caixa de velocidades partido.

Enfim, são águas passadas e agora já estou ansioso pelo circuito do Estoril a 5 de Setembro.

Um abraço de felicidade para todos de Rui “The Rukyman” Almeida.