por Rui Almeida

 

 

21 DE MAIO 2009

Foto de Digimotores.pt

 

A CORRIDA DA MINHA VIDA!

 

 

 

 

 

Este fim-de-semana tive o prazer ou melhor, o privilégio de conhecer um homem que já passou pela Formula 1 (mais um), sem grande sucesso diga-se, mas esteve lá e isso é que importa, foi piloto oficial Ferrari, guiou para a Alfa Romeo que já abandonou a F1 à muito tempo e inclusivamente guiou para a Williams nos seus primeiros anos – Arturo Merzário.

Claro que este nome não diz rigorosamente nada a quase nenhum dos destinatários desta crónica, mas serve para vos explicar uma coisa muito importante que perceberão mais à frente.

Não serei uma enciclopédia ambulante sobre a matéria, mas sei o suficiente para reconhecer um homem que esteve na F1 na década de setenta do século passado e que hoje caminha a passos largos para os… 70 anos!

E o que estava a fazer o bom do Arturo no Autódromo Internacional do Algarve?

A participar no Open GT, ou seja, no campeonato espanhol de GT’s, um dos mais importantes da Europa no qual, equipa que se preze tem orçamentos por carro a rondar o meio milhão de… contos!

Passei por ele num momento em que estava nitidamente a curtir o sol algarvio: Sentado numa cadeira virado ao sol, pernas cruzadas e esticadas para a frente, cabeça para trás e olhos fechados.

Li na fivela “A. Merzário” e perguntei ao meu amigo Michelle Rugolo que é piloto profissional e participa no Open GT, se aquele era o Merzário que esteve na F1:

- “Sim é!!”

 

 

Disse-lhe que o queria conhecer e o Michelle apresentou-mo sem problemas.

Uma simpatia de pessoa. Estive um bom pedaço a falar com ele e senti que ele ficou surpreso por eu o ter reconhecido e saber alguma coisa da sua carreira.

Falamos de corridas e claro do que é que eu também estava a fazer no Algarve!

Surpresa das surpresas, quis saber como se dava uma volta a Portimão de 45S. 

Mas o facto de vos falar dele tem mais a ver com as suas motivações.

O que leva um homem da sua idade a participar numa competição tão exigente fisicamente como esta e o facto de permanecer activo após tantos anos?

Certamente não é a ânsia de vitórias. Essas, ele sabe que já não são para ele, mas também vos digo, ainda envergonha muita gente tal a qualidade do seu andamento. É sem dúvida o prazer de conduzir aquelas máquinas, o gozo, a potência, enfim tudo isso e ainda o ambiente daquele paddock.

Mais tarde e por coincidência, vinha no meu carro a atravessar o paddock quando o vi a abandonar o seu Maseratti de corrida no parque fechado, vinha a arranjar o cabelo e preparava-se para fazer uma boa caminhada de 1200 metros até à sua boxe no extremo oposto do circuito. Dei-lhe boleia: Suava que nem um “Cavalino Rampante”, mas o seu ar de felicidade era enorme e expressivo.

As corridas para quem as vive intensamente são isso mesmo: O prazer, o gozo de andar lá dentro. Até se pode guiar o pior carro do pelotão, mas isso pouco importa. E no final disto tudo se ainda se é pago para o fazer, tanto melhor!

Ao fim e ao cabo, qual é a diferença entre mim e o Arturo Merzário?

Não é muito grande.

Basicamente não me pagam, não disponho dos mesmos meios, não guio um Maseratti, mas tudo o resto é rigorosamente igual.

De facto o que gostava mesmo era de chegar aos 70 e ainda andar lá no meio, tão só, porque me dá um prazer enorme.

Quanto à minha prova, sem dúvida que foi a corrida da minha vida, até porque na minha já longa carreira de mês e meio fiz duas corridas: Na primeira fiquei em quinto e agora em terceiro e portanto, só por isso esta foi (para já) a corrida da minha vida.

Só tem um pormenor: Eu saí do quadragésimo e último lugar…

Estão a perceber o gozo?

Um abraço de felicidade para todos de Rui “The Rukyman” Almeida