por JOSÉ NUNO VASCONCELOS

26 DE SETEMBRO 2007

 

"Um circuito fabuloso", é assim que se pode definir o circuito de Spa-Francorchamps, onde recentemente decorreu o GP da Bélgica de F1 que tive oportunidade de acompanhar no local, ao vivo e a cores, com a companhia do meu irmão (um futuro "Ás"??).

 

Após um percurso na Alemanha e Bélgica que incluiu uma das famosas Autobahn (que infelizmente o nosso Opel Corsa 1.2 de aluguer apenas permitiu aproveitar a ausência de limite de velocidade em uma ou duas descidas e quando o vento estava a favor) a chegada a Malmedy não podia ser mais emocionante: ao estacionar a viatura, ouvia-se ao longe um rugir de "motores a sério", o que nos fez acelerar ainda mais o passo em direcção à entrada. Será que contra as nossas expectativas ainda iríamos apanhar um dos treinos livres de 6ª feira? Assim foi!

 

O primeiro vislumbre do traçado foi esmagador. Como todos saberão, o circuito fica num vale, uma região densamente arborizada. Assim, o relevo natural confere uma configuração absolutamente espectacular ao traçado, com rectas muito rápidas e grandes desníveis de terreno. Para além disso, o som dos motores batia nos montes que nos devolviam em forma de eco uma imensidão de escalas harmónicas, de acelerações e reduções.

 

Conseguimos acompanhar um dos treinos de 6ª feira, o treino livre de sábado, as três sessões de qualificação e, no domingo, todos os preparativos para a corrida (incluindo a parada dos pilotos) até ao grande momento que se iniciava às 14:00 locais. Foi "casa cheia" (só não chegou a "poker" porque não havia viagens de avião mais cedo na 6ª feira...). Além da "prova-raínha", assistimos também às provas de GP2, troféu Porsche Supercup e o fabuloso Mini Challenge.

 

Das três, a que se tornou menos interessante acabou por ser o troféu Porsche. A velocidade elevada e semelhante dos veículos não permitia que se aproximassem e a sua estabilidade também não potenciava muitos erros de condução, portanto era praticamente uma "fila indiana" de início ao fim. Em total contraponto estão os Mini que protagonizaram uma prova espectacular, cheia de ultrapassagens, perdas de aderência, travagens nos limites. Em plena recta, assistiam-se a várias perdas e recapturas de posição, tal era a influência do "cone de ar" para o peso dos veículos. Verdadeiramente fabuloso. Curiosamente, no final de ambas as provas assistiram-se a manobras de ultrapassagem "duvidosas", mas que terão sido resolvidas em pista - à semelhança do bom espírito patente nos Ases!

 

A GP2 (só assistimos à 2ª manga) teve uma excelente prova do piloto indiano Karun Chandhok (para o ano na F1?) que conseguiu superiorizar-se à concorrência. Desilusão a prova de Bruno Senna, que conseguiu apenas o 8º posto (havendo desistido na manga do dia anterior). Ainda destaque para o abalroamento de Ricardo Risatti a Timo Glock ainda na volta de formação, em plena recta, quando este estava a tentar aquecer os pneus. Glock, líder da classificação acabou por nem sequer partir, não somando qualquer ponto no fim-de-semana, vendo reduzida a sua vantagem no mundial para apenas 2 pontos e ainda por cima, ser alvo dos comentários jocosos e fotos quando passava cabisbaixo à frente da bancada, de regresso às boxes.

 

Por fim chegou o momento que tínhamos estado à espera desde as 8 da manhã. Após a parada dos pilotos com um misto de palmas e assobios para cada um dos 4 principais pilotos do campeonato, warm-up, formação e... PARTIDA! Claro que dito assim são 2 segundos, mas na verdade foram mais de 2 horas sentadinhos no relvado, com a "bancada" a encher até um ponto que nunca imaginamos possível. Ficamos colocados a 1/3 da recta Kemmel, com visibilidade para o ecrã gigante, vendo (e ouvindo) toda a potência dos carros depois da difícil (e fantástica) curva Eau Rouge, bem como a travagem para Les Combes, onde os pilotos têm qua passar de 330km para 140km em poucos metros. A corrida em si, decorreu sem problemas com o domínio total de Raikonnen e da Ferrari, para gáudio da maioria dos adeptos (incluindo nós próprios). Cedo se viu que os McLaren não iriam acompanhar os pilotos da Scuderia e que a "Macchina" original seria superior a qualquer "cópia". De destacar, a surpreendente corrida de Sutil a bordo de um modesto Spyker, a bela prova de Coulthard que até ter problemas mecânicos conseguiu manter o seu Red Bull bastante mais pesado à frente de Vettel e Trulli primeiro e depois Kubica (que infelizmente depois de um grande esforço não conseguiu chegar aos pontos, protagonizando uma interessante "batalha" com Kovalainen), a excelente qualificação e bela prova de Rosberg e também a prestação de Heidfeld que, neste momento, já não surpreende ninguém, mas ainda assim é digna de registo.

 

No fim, Hamilton continua na frente, mas vê reduzida para 2 pontos a sua vantagem sobre Alonso. Raikonnen tem que vencer as corridas que faltam e esperar a ajuda do seu companheiro Massa para atrasar os McLaren para tentar chegar ao cobiçado (e disputado) título.

 

Ainda uma palavra para a feira das marcas, com jogos, brindes e promotoras bonitas! Infelizmente apenas a Red Bull, Toyota, Bridgestone e ING apostaram em grande com tendas de exposição fabulosas. As restantes marcas colocaram bancas bastante modestas.

 

Depois do Grande Prémio, estes dois aficionados ainda se foram aventurar por terras germânicas à descoberta de Kerpen, cidade-natal de Michael Schumacher, para realizar uns testes no kartódromo do piloto. Fica aqui o website http://www.ms-kartcenter.de/en/home para consulta e uma nota para quem estiver de passagem por lá não perder a oportunidade, pois vale bem a pena.

 

Um grande abraço,

José Nuno Vasconcelos

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